30/07/2026
O Brasil contabilizou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, conforme levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Só nos cinco primeiros meses de 2026 foram 222.139 casos, o que mostra a persistência das ocorrências no país.
Os números vieram a público na semana do Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, lembrado em 27 de julho, e reforçam a necessidade de ampliar medidas de prevenção nos ambientes de trabalho e de fortalecer políticas públicas de saúde e segurança do trabalhador.
De acordo com a Anamt, o avanço das notificações também está ligado à Portaria nº 217/2023, do Ministério da Saúde, que passou a exigir o registro de todos os acidentes de trabalho atendidos pelos serviços de saúde.
Antes da norma, apenas acidentes graves, fatais e os que envolviam crianças e adolescentes precisavam ser notificados. Com a ampliação da regra, os registros passaram a refletir de forma mais fiel a realidade dos acidentes no país.
Mesmo assim, especialistas alertam para a possibilidade de subnotificação, sobretudo em atividades marcadas pela informalidade — o que indica que o total real de ocorrências pode ser ainda maior.
O estudo aponta que 74,7% dos acidentes registrados envolveram homens, com a faixa dos 20 aos 49 anos concentrando a maior parte das ocorrências, o que reflete a predominância desse grupo na população economicamente ativa.
Para os especialistas, esse perfil está diretamente relacionado à maior presença desses trabalhadores em atividades com exposição a riscos físicos, como construção civil, indústria, transporte e funções operacionais.
A distribuição regional acompanha a concentração da atividade econômica e do emprego formal: Sudeste e Sul respondem por 72,6% das notificações, e São Paulo é o estado com o maior número de acidentes de trabalho.
Os especialistas ponderam, no entanto, que esses números também refletem diferenças na capacidade de registro entre estados e municípios, além da maior cobertura dos sistemas de notificação nas regiões mais desenvolvidas.
Além das consequências para a saúde dos trabalhadores, os acidentes geram afastamentos, queda de produtividade e aumento de custos para as empresas e para a Previdência Social. Em muitos casos, resultam em tratamentos longos, pagamento de benefícios e necessidade de substituir temporariamente a mão de obra.
Por isso, investir em prevenção é apontado como uma estratégia que beneficia tanto empregados quanto empregadores.
A redução dos acidentes, segundo os especialistas, depende de uma cultura de prevenção com participação conjunta de empresas, trabalhadores e poder público. Entre as principais medidas estão o gerenciamento dos riscos ocupacionais, treinamentos periódicos, fornecimento e fiscalização do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), manutenção de máquinas e adequação dos ambientes às Normas Regulamentadoras (NRs).
A emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) segue essencial para garantir os direitos do trabalhador e alimentar as estatísticas oficiais que orientam as ações de prevenção.
Para a Anamt, dados mais completos permitem identificar os setores e grupos mais vulneráveis e direcionar recursos, contribuindo para reduzir acidentes, afastamentos e mortes relacionadas ao trabalho e para promover ambientes mais seguros em todo o país.
Fonte: Com informações de Contábeis
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